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Mostrando las entradas etiquetadas como Carlos Eduardo Santos Pinho

Precarização do trabalho e economia digital no mundo e no Brasil: anular reformas regressivas para retomar o desenvolvimento*

As profundas transformações do capitalismo vêm agravando a situação do mercado de trabalho no mundo e no Brasil. A literatura mostra que a contrarrevolução monetarista e a contestação das políticas monetária e fiscal na década de 1970, abriram o caminho para as medidas de liberalização da conta de capital, flexibilização do trabalho e desregulamentação financeira. Tal “consenso macroeconômico ortodoxo” (Resende, 2020) norteou as ações dos governos de inclinação liberal-conservadora, como Margaret Thatcher (Inglaterra) e Ronald Reagan (EUA), impulsionando o regime de acumulação financeira em curso. No Reino Unido e nos EUA, por exemplo, com o desmantelamento dos mercados de trabalho e da proteção ao emprego da Era Fordista (Wagner Act of 1935, Employment Security Act of 1946, Social Security Act of 1935) foram adotadas estratégias de trabalho contingente, como diárias, contrato zero hora, terceirização, redução de salários, ataque a ação coletiva dos trabalhadores e aumento de acidentes...

Auxílio emergencial, Congresso Nacional e austeridade no governo Bolsonaro: o Brasil da pandemia (sempre) na contramão do debate internacional

No momento em que elaboro esta pequeníssima reflexão o Brasil ultrapassa a marca de 250 mil óbitos pela COVID-19, o Ministério da Saúde é ocupado por um militar desqualificado para o cargo e não há uma política planejada de imunização em massa da população. A moléstia está numa fase avançada, com pico de internações e adoção de medidas rígidas pelos entes federativos para evitar a disseminação do contágio.  O colapso da gestão da pandemia e a falta de coordenação intergovernamental ficaram evidenciadas na postura beligerante e nos arroubos autoritários do presidente com os governadores e prefeitos, que adotaram de forma autônoma medidas de combate ao vírus.Ademais, o ímpeto negacionista do mandatário e do ministro da Saúde, que gastaram milhões do contribuinte com medicamentos (cloroquina) sem comprovação científica, confundiram a cabeça da população, aumentaram exponencialmente o contingente de infectados e o número de óbitos.  Em sua retórica signatária da antipolítica duran...

Renda básica universal, decomposição do mercado de trabalho e conflito distributivo no quadro da pandemia de Covid-19: breves notas do governo Bolsonaro

No âmbito da pandemia do coronavírus, o objetivo deste breve texto é refletir sobre a degeneração do mercado de trabalho, o conflito distributivo e a necessidade de uma renda básica universal para evitar o esgarçamento da sociabilidade. Segundo dados da PNAD Contínua do IBGE, entre abril e julho 32,9 milhões de brasileiros ficaram sem trabalho. Espera-se que o ápice do desemprego ocorra na metade de 2021, o que agravará ainda mais o cenário. A população ocupada alcançou recorde negativo, com redução de 7,2 milhões de pessoas (8,1%) e chegando ao contingente de 82 milhões de brasileiros, o menor da série histórica do IBGE. A força de trabalho atingiu o menor número, com 95,2 milhões de pessoas, queda de 6,9 milhões (6,8%) na comparação com o trimestre anterior (IBGE, 30/09/2020). Ademais, dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do IBGE, arregimentados entre junho de 2017 a julho de 2018, mostram que a fome (insegurança alimentar grave) atingiu mais de 10 milhões de brasileiros ...